GuIgO NewS entrevista: Fofão

Nesta semana, a entrevistada do blog é a levantadora Hélia Rogério de Souza Pinto, a Fofão, ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e atualmente comentarista de vôlei no canal BandSports. Mas não pense que Fofão parou de jogar, não!  Mesmo aos 41 anos, ela só está esperando chegar uma proposta que valha a pena. De acordo com ela, o corpo ainda aguenta e não é hora de se aposentar.

Confira a abaixo a nossa conversa:

GuIgO NewS – Fofão, você teve uma passagem vitoriosa pelo Fenerbahçe, da Turquia. Por que quis sair de lá?

Fofão – Lá na Turquia eu ia ser levantadora junto com a Naz (Aydemir, levantadora de 21 anos), que é jovem, titular da Seleção Turca, e eles queriam que ela aprendesse também e que melhorasse o voleibol dela. E o Zé pediu que eu fosse. Acontece que lá a regra era de apenas três estrangeiras no time e agora só podem jogar duas. Aí eu resolvi voltar para o Brasil, porque eu tinha algumas propostas que estavam quase certo.

O Fenerbahçe, da Turquia, foi o décimo quarto clube da jogadora

GN – Que times que fizeram proposta?

Fofão – Não posso falar, desculpa…

GN – Mas aqui no Brasil você tem propostas de clubes de ponta?

Fofão – Sim, no Brasil, tem quatro times que investem bem. Eu tive proposta de dois desses times, mas as coisas não aconteceram. Depois eu também recebi propostas de times com jogadoras mais jovens, mas eram de times que não tinham objetivo de estar entre os quatro primeiros. E eu ainda tenho o objetivo de jogar em um time forte. Não posso jogar em uma equipe que não tenha o mesmo objetivo que eu.

GN – Mas você ainda estuda essas propostas?

Fofão – Não, não… Essas eu já descartei. Eu só vou saber agora o que vai rolar, quando acabar a Superliga ou em Março e Abril, que é quando as equipes voltam a procurar jogadoras.

GN – A ideia, então, não é aposentar agora, mas sim esperar a proposta de um clube de ponta?

Fofão – Essa intenção de parar de jogar aparece quando você tem uma lesão, que te impede de fazer seu melhor… Ou você não se sente com condições de acompanhar as outras jogadoras. Eu não me vejo em nenhuma dessas situações. Eu me vejo hoje muito bem, sem nenhum tipo de lesão. Os problemas que eu tinha joelho eu já tratei. Então, eu ainda tenho condições de jogar um voleibol bacana, sabe? Não é o momento de pensar em parar.

GN – Você começa a trabalhar também como comentarista na televisão. É esse seu objetivo depois de se aposentar ou pensa em trabalhar com outra coisa?

Fofão – Essa coisa de comentarista está muito bacana pra mim, já que estou parada, tenho bastante tempo e estou à disposição. E é mais legal ainda porque você comenta algo que conhece e já viveu. Pra mim fica muito fácil. Mas eu quero mesmo estar envolvida de alguma forma com o voleibol. Ou seja na parte administrativa ou na organização.

GN – E o cargo de técnico te interessa?

Fofão – Eu gostaria de ter essa experiência, mas começar devagar, e ter a oportunidade de trabalhar junto com um técnico em algum clube. Acontece que é diferente ser jogadora e ser comandante de um time. E eu gostaria de estar junto com alguém que possa me ensinar e mostrar como funciona esse outro lado.

(Matéria do meu amigo Thiago Kansler, que foi ao ar no fim do ano passado e conta um pouquinho mais da trajetória de Fofão…Só uma correção no texto do âncora, ela jogava na Turquia, não na Itália)

GN – É mas agora vamos pensar em você continuar jogando, né? Que venha uma proposta legal pra você…

Fofão – É… uma coisa por vez. (risos) Não vamos pular etapas.

GN – Qual é a grande diferença de jogar em clubes de vôlei do exterior e jogar aqui no Brasil? Além da financeira, claro.

Fofão – A diferença que eu sinto do voleibol de fora do Brasil é a quantidade de jogadoras estrangeiras. Você joga com jogadoras de todas as partes do mundo e isso dá uma diferença muito grande. E quando eu fui para a Itália, era uma época que o esporte lá estava no auge e eu joguei com as melhores jogadoras do mundo. Com as melhores de cada seleção. E isso faz você evoluir muito. Além de você ter uma responsabilidade maior. Se o Brasil conseguisse trazer essas estrangeiras, acho que valorizaria muito o voleibol do Brasil.

GN – Você tem 1,73m de altura, o que é pouco para o vôlei. Por causa disso, você fazia algo de diferente nos treinos? A baixinha precisa treinar algo que as colegas não treinam?

Fofão – Eu sou baixinha e o que eu mais detesto é treinar bloqueio, porque preciso fazer muito esforço. Como somos menores, o pessoal explora mais o nosso lado da quadra. E eu sabia que as bolas viriam na minha direção. Então eu procurava melhorar mais o lado técnico e posicionamento de mão. Se eu conseguisse ter um tempo de bola, ajudaria mais o bloqueio.

GN – Fisicamente tem uma mudança de treinamento em relação às jogadoras altas?

Fofão – Não tem diferença, não. Acho que é mais a parte técnica mesmo.

Mesmo com 1,73m, Fofão tentava e muitas vezes conseguia se destacar entre as companheiras

GN – Você encerrou a passagem pela Seleção Brasileira. Vai, fala sério, às vezes dá vontade de voltar?

Fofão – Eu deixei uma história muito bonita lá. Eu terminei no auge do meu voleibol. Nunca me senti tão bem, como eu me senti naquela Olimpíada. Fomos medalha de ouro, sobrando em quadra. Eu nunca imaginaria jogar os Jogos Olímpicos com 38 anos e da maneira como joguei. Fica aquela saudade, mas só isso fica. Foi uma decisão muito bem pensada.  Quando eu me desliguei, foi incrível, porque eu não sinto saudade de voltar. Sinto falta da convivência com as meninas, porque é bem legal, mas só isso mesmo.

Com 38 anos, ela chegou ao auge da carreira ao ajudar o Brasil a ser medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

GN – Estamos em ano olímpico e você foi medalha de ouro em 2008, lá em Pequim. O que a seleção de 2012 precisa ter de diferencial para repetir o feito de quatro anos atrás?

Fofão – Eu acho que elas têm uma responsabilidade grande, por serem as atuais campeãs. Todos estão estudando a Seleção Brasileira. E elas vão precisar ter união no grupo. Acho que serão jogos muito difíceis para o Brasil. Mas temos um conjunto muito forte, uma união, que ninguém tem. Se o grupo estiver unido, esse será o diferencial.

GN – Quais são os países que o Brasil precisa tomar cuidado?

Fofão – Os Estados Unidos, que o Brasil está com dificuldades de vencer. Eles nos estudam muito e sabem nos marcar. Acho que a Itália, que é muito competente. Esses dois são os que vêm na cabeça agora e que temos que ter muita atenção.

GN – Você trabalhou com os dois maiores técnicos da história da seleção: José Roberto Guimarães e Bernardinho. Qual a diferença entre eles?

Fofão – A minha história com cada um foi muito boa. Os dois são excelentes, sabem lidar com o atleta. O Bernardinho é mais exigente com o jogador e o Zé não é tanto.

GN – Tem o seu favorito entre os dois?

Fofão – Eu me dou bem com eles. Tem uma ordem pra mim, primeiro o Zé, depois o Bernardinho, mas os dois são fantásticos.

GN – Eu li no seu site que se não fosse jogadora de vôlei, você seria fisioterapeuta.

Fofão – (risos) Foi uma fase isso, foi uma fase. (risos)

GN – Mas por quê? Você pensa em fazer faculdade depois?

Fofão – Foi uma época que convivia muito com os fisioterapeutas e eu tinha vontade, mas depois eu comecei a conhecer melhor e vi que eu não levava jeito. Futuramente eu quero voltar a estudar, sim.

Depois de levar tantos troféus pra casa, Fofão pensa agora em colocar um diploma de faculdade na parede

GN – Já sabe o que vai estudar?

Fofão – Ah… Eu quero fazer Gestão Esportiva, Marketing Esportivo, algo assim. Não precisa ser voltado ao voleibol.

GN – Você sempre foi muito ocupada com o vôlei. Por isso não teve filhos?

Fofão – Com certeza. Eu dei muita prioridade ao voleibol. Quando eu casei, eu conversei com o meu marido e expliquei que enquanto desse, eu ia me dedicar ao voleibol. Quando você coloca o vôlei na frente de tudo na sua vida, não tem como ter um filho e querer entrar em quadra. Pra mulher é complicado, porque desvia do foco. E o meu foco  era o voleibol. Mas agora, com mais calma, com mais tempo, apesar de não poder esperar muito, porque a idade complica, se eu engravidar, vou ficar muito feliz.

GN – Recado dado ao maridão que está aqui do lado…

Fofão – (risos) É… pode chegar o Fofinho! (risos)

GN – Se for Fofinho ou Fofinha, o voleibol vai estar no DNA…

Fofão – Não sei, mas eu ia ficar muito feliz. Vai ter esporte na veia. Mas a chance é grande, porque já vai estar no meio. Vai ver fita, foto…As amizades são todas do meio…Ele vai ser influenciado indiretamente, não vai ter jeito.

GN – Para terminar, qual o segredo de tanto sucesso e tantos títulos?

Fofão – Eu fui extremamente profissional. Sempre me cuidei muito, fui muito exigente comigo mesma. Queria melhorar a cada, nunca estava satisfeita com o que eu fazia. Fui muito dedicada e isso faz uma diferença. Quando você passa a ser jogadora de seleção, a responsabilidade é maior ainda. Eu queria sempre mais. Nós não podemos achar que sabemos tudo. Mas graças a Deus eu consegui ser a melhor por vários anos seguidos. Sempre com muito trabalho e dedicação. Sempre que eu entro em quadra é com muito amor, muito respeito.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Vôlei

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s