10 dias com ela

(texto escrito por mim para o blog do Thiago Crespo – http://literatofonia.blogspot.com.br)

Se você ainda não assistiu ao filme “500 dias com ela”, assista. Foi inspirado nele que decidi largar momentaneamente os textos sobre paternidade ou esportes e embarcar

em uma crônica do amor. Agradeço novamente ao meu amigo Thiago Crespo pelo espaço em seu tão bem escrito blog. Nunca meu texto será como o dele.

Vamos ao causo da vida.

Ela apareceu para mim no dia do meu aniversário, no ano passado. Charmosa, tinha acabado de fazer uma tatuagem no ombro esquerdo, em homenagem à família. Eu, bêbado por causa dos tantos Camparis que me pagaram naquela noite, me lembrei disto, daquele olhar lindo dela e da frase “ah, você é o papai jovem, então?” Este foi o primeiro dia.

Meses depois, após eu ter dezenas de aventuras tinderosas, casuais, rápidas e sem romance algum, ela reapareceu. Sem muito o que enrolar, troquei idéia, fiz o tradicional pedido whatsappiano e a chamei para sair. Educada e discreta, a mulher aceitou. Ela queria que o encontro fosse em qualquer dia, “uma pauta atemporal”, de acordo com a profissional de comunicação, relações públicas, que era. Eu, jornalista, queria que fosse o mais factual possível. Se ela aparecia naquele momento, ela tinha que ser para ontem! Marcamos o mais rápido, então. Este foi o segundo dia.

O terceiro dia foi o do encontro factual. E que rolê, velho! A atmosfera do bar Stones era a ideal para que um casal de bodas de diamante se formasse. Luz baixa, música boa. Dois comunicadores felizes e atenciosos com a história do outro. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão bem. Mulher como aquela não tem em nenhum aplicativo do iPhone. Fiquei com vontade de tê-la em todos os meus momentos. Mesmo com os tantos conselhos de “não sufoca a mina” que amigos me deram, eu precisava transformar aquele exemplo de paraíso na Terra em realidade na minha vida. Quando meus lábios tocaram os dela, eu confirmei o porquê que eu viajei tantos quilômetros sentado na cadeira de ferro do Stones. Era ela. Saímos do bar de mãos dadas, andamos no carro de mãos dadas e a deixei em casa. Simples, sem muita enrolação ou pegação. Mal sabia eu que tudo tinha prazo de validade e que o bendito tinha acabado ali. Só que eu ainda estava de mãos dadas com ela.

Os quatro dias seguintes foram de tensão. A atmosfera da tela do Whatsapp não chegava nem na metade da do Stones. Era silêncio e mistério: será que ela não quer saber de mim mais? O que foi tudo aquilo que aconteceu no bar? Será que eu estava com bafo? Será que disse alguma bobagem? Será que eu ainda vou vê-la e viajar quilômetros após beijar aquela boca? Será que eu não manjo dos paranauê da conquista?

As tantas perguntas me fizeram, nestas tantas horas cruéis de dúvida, vacilar no trampo e em casa. Fiz tantas merdas e tantas coisas erradas, que tenho até vergonha de escrever neste blog tão bem escrito pelo Crespo. Eu não quis entrar no mundo fechado dela. “Sufocar”, como me diziam amigos por mensagem de WhatsApp. Mentira! Eu queria! Queria mandar mensagens carinhosas e fazer surpresas agradáveis como flores, chocolates ou qualquer coisa que a fizesse sorrir. Eu só queria que ela sorrisse pra mim. Ela merecia sorrir.

Só que todas as mensagens que eu mandei, voltaram com vácuo, silêncio.

Acionei minha psicóloga no sétimo e no oitavo dia, antes que uma tragédia acontecesse e aquele vazio se tornasse mais prejudicial para minha saúde, porque a estética já tinha ido para a casa do caralho. Assim como em anos anteriores, em situações muito piores, os conselhos da mulher de trinta e poucos anos com rostinho de vinte e poucos foram certeiros e me ajudaram demais. Eles diminuíram a minha ânsia em ser a mistura de Clark Gable e Zé Mayer. Mesmo assim, eu precisava ter uma resposta dela. Um “oi jornalista!”, como quando flertávamos… Era tão bom, psicóloga. Era natural, juro que eu não forcei…

Para minha sorte, no nono dia, a psicóloga sumiu geral. Até do WhatsApp! “Fudeu”, pensei. “Fudeu, fudeu, fudeu, vou ligar pra mina”. Desobedeci a ordem da psicóloga e liguei. Ela atendeu doce como sempre. Chamei para sair e ela disse que tinha encontro marcado com as amigas, mas foi tão perfeita que nem me importei. O timbre de sua voz era o bastante para acalmar a ansiedade que eu tinha em mim. E mais: armei uma estratégia. Conversei com uma das amigas, que prometeu me dar notícias sobre o estado de paixão daquela que, no terceiro dia, foi por algumas horas a que passaria o resto dos meus dias comigo. A amiga, paciente e maravilhosa, topou.

Chegou o décimo dia. Decidi a última cartada. Mandei uma mensagem daquelas lindas, sinceras e claras. “Eu sou assim: cuido, zelo, tento agradar…” Diferentemente das outras vezes, agora veio resposta. “Você é um cara bacana (…) quero ficar de boa (…) não estou nessa vibe.”

Que merda, mano. Que caralho…

Enfim, a culpa não era minha. Nem dela, aliás. Era do destino.

Bom, sei lá. Só sei que aprendi nestes dez dias que, às vezes, a pessoa que você está apaixonado simplesmente não entra na “vibe” que você está. Percebeu que eu não tinha mais o que fazer ali? Dei tempo ao tempo, agradei, cuidei, fiz o que pude para ser o cara legal…

Não deu. Faz parte.

Aprendi com o filme “500 dias com ela”, e com esses meus dez dias de paixonite, que não existe apenas um único “primeiro dia” na vida. As paixões se reciclam e, para esquecer um drama de amor, temos que nos cuidar. Aquele blablablá de não dar a flor, mas sim arrumar o jardim que ela vem buscar e ZzZzZzZ.

Essa história aqui também me trouxe uma outra lição: que merda, que caralho que é essa vida de comunicação por WhatsApp.

Quer saber? Foda-se todo mundo! Amanhã eu vou ligar pra ela!

Não, calma…

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